Música para Eventos

Foto: Marcello Casal Jr

Com 30 anos de experiência profissional, Hamilton Pinheiro traz requinte para o seu evento com uma programação musical de alto nível. Com um repertório que transita entre o jazz, a bossa nova e a música pop, Pinheiro fornece a trilha sonora perfeita para seu evento com uma apresentação musical impecável, tanto na formação instrumental quanto com música vocal.

Os eventos atendidos pelo grupo em Brasília variam entre cerimônias e recepções de casamento, eventos corporativos, eventos em embaixadas, festas de aniversário, tendo realizado trabalhos na Embaixada dos Países Baixos, Palácio do Itamaraty, Empresa Brasileira de Comunicação e AABB, entre outros.

 

 

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O que você fala de outros músicos?

 

Lembro que, há muito tempo, li uma frase que marcou muito. “Se você não tem nada de bom para falar de uma pessoa, não fale nada”. Não lembro a época nem o lugar exatamente, mas sei que era na minha adolescência. Aquela fase em que definimos várias regras para a vida, regras que caem por terra quase que em sua totalidade quando descobrimos que a vida possui variantes demais para se enquadrar em regras. Essa regra, porém, sobreviveu ao tempo.

Ao longo dos anos percebi o quanto seguir essa frase ajudou a manter a fofoca fora de minha vida, a manter os fofoqueiros fora de minha vida (bingo), a ser mais amigo, a ser mais compreensivo, a ganhar trabalhos (sim, já me falaram que fui chamado para trabalhos por não falar mal de outras pessoas) e, principalmente, a viver em paz. Fico feliz em perceber o quanto essa frase fez parte do meu crescimento.

Apesar da frase ser muito boa, ela tem suas limitações. Por exemplo… e quando a pessoa precisa emitir uma opinião e necessita falar negativamente? Pois é… Difícil dizer. Limitações existem, mas mesmo assim eu prefiro usar essa frase ao máximo em minha vida.

Foto: Renata Samarco

Tendo isso como inspiração introdutória, levanto a situação em que músicos veem a performance de outros e, no meio do comentário vem uma crítica. Estão falando mal ou externando opiniões? Difícil dizer… Porém, para além do falar mal ou opinar, pode existir uma terceira situação que acho que deve ser discutida e combatida. Essa situação pode ser chamada de crítica negativa usada para autoafirmação e afago do ego, uma forma oculta da velha e conhecida inveja. Atenção: Observe o uso da palavra “pode” duas sentenças atrás. Não estou afirmando que sempre existe.

Quando ouço pessoas comentando sobre as performances dos outros, em várias ocasiões percebo o sistemático uso da conjunção coordenativa adversativa “mas”:

“O show foi bem legal, mas achei o repertório muito chato. Tudo muito lento.”

“A música é bonita, mas o arranjo não ficou legal.”

“Adorei a interpretação, mas no refrão final desafinou.”

“Toca pracarái, mas… (espaço para você colocar uma frase que você já ouviu alguém falando).”

Além das perguntas óbvias do tipo “quem pediu sua opinião?”, “você falou isso diretamente para a pessoa?” ou “você está realmente querendo ajudar?”, que podem identificar para que lado a balança opinião/falar mal vai pender, pode existir uma necessidade escondida de autoafirmação para afagar o ego.

Explicando: Vamos colocar aqui a pessoa A, a que fez a performance; e a pessoa B, a que comenta.

Será que a pessoa B na realidade percebeu que a performance de A foi excelente, às vezes acima da sua própria capacidade musical, e procura algo que tenha melhor domínio para afagar ao seu próprio ego dizendo “isso eu sei fazer e A não sabe”? Ou seja, será que B usa essa crítica para dizer a si mesmo que “A é bom, mas não tanto assim”?

Dê uma pausa na leitura e pense um pouco nas situações semelhantes a essa que você viu. Lembre-se da performance de A. Será que as falhas que B falou são realmente relevantes para obscurecer as qualidades do show de A? São realmente relevantes a ponto de ser necessário tecer comentários? Existia aquele ar de “isso eu sei fazer melhor…” no tom de voz? Você se identifica com a pessoa B? Eu já me identifiquei. Já falo sobre isso…

Pois é… um comentário desses pode ter por trás o sentimento “eu gostaria de fazer o que A está fazendo, gostaria de estar no lugar dele/dela”, que no jargão popular se chama “inveja”. Porém, tão escondida no meio de uma crítica embasada por argumentos técnicos e precedida por um elogio antes da conjunção coordenada adversativa “mas” que quase ninguém percebe.

Que atire a primeira pedra o músico que nunca pensou “caraca… eu sou profissional há anos, estudei em escola de música, universidade, anos enfurnado no meu quarto tirando música, sei compor, sei improvisar, tenho o slap mais rápido do Centro-Oeste,… e fulano, que nem sabe o que é um acorde meio diminuto, está rodando o mundo naquela banda e ganhando a maior grana…” Sim, esse pensamento e essa percepção de “injustiça” já passou pela cabeça de todos (ou quase todos) os músicos que conheço. Inclusive a minha.

Porém, vale colocar que isso não é uma injustiça. Música não é uma fila única em que os mais graduados têm o direito de ocupar as primeiras posições e que os menos graduados só entrarão no mercado quando os melhores já tiverem sido escolhidos. Se a pessoa está lá, ela teve seus méritos, mesmo que esses méritos não seja musicais. Que sejam por localização geográfica, amizade, relacionamento pessoal, habilidade empresarial, indicação, sorte, ou qualquer outra coisa. Esse méritos existem.

Eu já tive esse pensamento negativo, mas, depois de um tempo, percebi o quanto isso é errado. Atualmente, quando vejo alguém em um ponto mais à frente em sua estrada musical que eu, procuro ver os fatores que a levaram estar onde está e quais atitudes eu tenho que tomar ou o que preciso corrigir para alcançar algo semelhante. Por exemplo, verifiquei há um tempo que sou muito famoso em Brasília, mas apenas entre os músicos. O público geral me conhece pouco. Quando um outro artista faz um show solo e enche um teatro, ao invés de procurar desculpas do tipo “a música dele é mais comercial que a minha”, “teve mais verba para divulgação que eu”, “teve sorte de não ter outro evento na cidade no dia do show”, prefiro ver o que essa pessoa fez nos últimos 5 anos para chegar onde está e analisar o que posso aprender com isso.

Se, após uma autocrítica, você perceber que usa comentários negativos para afagar seu ego e dizer para si mesmo “eu também sou bom”, talvez seja a hora de parar os comentários e aprender algo novo. Se você percebeu “falhas” na performance de A, certamente percebeu virtudes também. As falhas que você percebeu podem ser as barreiras que você já superou na sua estrada musical. As virtudes podem ser aquelas que você já superou ou as que ainda precisa superar. Em qualquer dos casos, vá para casa e melhore. Se seu calo for algo musical, sente a bunda na cadeira, pegue seu instrumento e estude. Se for carisma, aprenda a se comunicar melhor no palco, faça um curso. Se for posicionamento de mercado, aprenda como a pessoa A chegou àquele estágio e trilhe seu próprio caminho. Se for a rede de contatos, aprenda como fazer um networking sadio e ter acesso às pessoas com quem você quer tocar. Em qualquer das situações, pare de afagar seu ego, pois isso só te ajuda a permanecer no lugar medíocre das pessoas que se comparam com as outras para dormirem “felizes”.

HP

Precificar um trabalho: Você pode estar fazendo muito errado

Precificar um trabalho: Você pode estar fazendo muito errado

Olá, pessoal!!! Feliz ano novo!!! Que tenhamos um ano de muita harmonia (em duplo sentido aqui, hahahah)!

Você já parou para pensar sobre qual estratégia você usa para precificar um trabalho musical? Antes disso… você tem uma estratégia para definir o preço de um trampo? Se você respondeu “não” para qualquer pergunta (em especial à segunda), é preciso parar e aprender como precificar de maneira profissional.

Existem algumas maneiras não profissionais de dar o preço de um trabalho que tenho certeza que você conhece:

  • Quanto será que consigo arrancar dessa pessoa?
  • Me fala quanto você normalmente paga para o grupo que toca aqui na quinta!
  • Eu toquei por X semana passada. Você consegue pagar isso?
  • Você só tem isso? Dá para pelo menos liberar o consumo de bebida para a banda?

Posso passar uma tarde inteira ampliando essa lista.

Antes de definir qualquer preço de atividade musical, você precisa primeiramente saber a média de preço que está sendo praticada em sua cidade em cada tipo de evento. Digo em cada tipo porque os preços podem se diferenciar de acordo com o serviço prestado. Tocar em um bar é diferente de tocar em um casamento ou evento corporativo. Também é diferente tocar em um teatro, tocar em um festival de música, gravar CD, ou gravar DVD. Sendo assim, a primeira coisa a fazer é descobrir quanto seus parceiros estão cobrando para cada tipo de evento. Tanto parceiros locais, quanto regionais. Ter essa clareza é de extrema importância para você se colocar de maneira correta.

Depois, você precisa definir o seu preço. Definir como você se insere dentro do mercado de sua região e como você consegue equilibrar a demanda desse mercado. Sobre como definir sua inserção no mercado é um assunto para um post inteiro. Outro dia escrevo sobre isso.

Aí vem uma dica de ouro: Se você for concorrer pelo preço, você pode até se dar “bem” no início, mas a longo prazo vai ferrar o mercado de sua região e  VOCÊ NUNCA vai conseguir crescer. Por exemplo, um sabão em pó que cobra um preço barato nunca chegará ao valor de um Omo. Não sou eu quem diz isso. É o mercado.

Definir seu preço significa estabelecer o valor desejável, médio e mínimo para cada tipo de atividade que você exerce. Por exemplo, se me convidam para tocar em um festival de música instrumental, de acordo com as informações que eu tiver do festival, eu começo pedindo um valor aproximado ao meu desejável. Isso informará ao contratante a referência de valor que eu trabalho e, de cara, evitará que me faça uma oferta muito abaixo de meu valor. A partir daí, se necessário, podemos negociar um valor que fique bom para os dois, que no meu caso é entre meu valor desejável e médio. Em casos extremos, após muita análise de prós e contras, posso negociar até chegar ao valor mínimo, mas NUNCA abaixo disso.

Hamilton, você já recusou trabalho por causa de valor abaixo do mínimo? Sim. Incontáveis vezes e continuarei fazendo isso até o fim de minha vida.

Por que é importante ter um valor mínimo definido e não aceitar oferta menor? Por você e por todos.

Primeiro, por você. Conforme o exemplo do sabão, se você toca um evento por X reais e esse valor é abaixo da média dos outros músicos, NUNCA um contratante vai TE contratar por Y. Ele pode até contratar OUTRAS PESSOAS por Y, mas não você. O valor que você aceita tocar define o valor de sua arte. Mais além, define a “qualidade” de sua arte. O valor financeiro de seu trabalho será usado para comparar você com outros artistas e, caso um contratante queira algo de maior “qualidade”, vai procurar uma pessoa mais cara que você.

Obs: Coloquei a palavra qualidade entre aspas porque o valor financeiro não define sua qualidade musical em si. Define a percepção das outras pessoas sobre a qualidade de seu trabalho, semelhante a um marceneiro que cobre R$ 500,00 por uma cadeira e outro que cobre R$ 1.500,00. Naturalmente você imagina que o segundo tenha melhor qualidade, mesmo que a realidade não seja essa.

Segundo, a partir do momento que um contratante não encontra músicos que toquem por X, automaticamente vai ter que contratar pessoas por Y se quiser ter música em seu evento. O fato de você sustentar um valor mínimo vai fazer com que o valor médio da sua região suba e melhore a situação de todos. Como fazer isso? Converse com outros músicos sobre os valores que tem praticado. Seja honesto e exija honestidade. Não combine preços, pois isso é antiético e ilegal. Apenas deixe claro que você tem definido seu valor desejável, médio e mínimo e que nunca toca por menos que o mínimo por causa de todos. Isso automaticamente fará com que os outros músicos pensem nessa estratégia e comecem a recusar trabalhos abaixo do mínimo.

Para fechar, tome muito cuidado com o “3 pelo preço de 2”. Aqui em Brasília, existem alguns locais que toco em duo que me pagam o valor que considero médio para o tipo de evento. Porém, esse valor de duo, caso eu chame uma terceira pessoa, ainda fica acima do meu valor mínimo, ou seja, posso tocar de trio. Aí, o que eu faço? Continuo tocando em duo. Tenho consciência que seria mais divertido para mim tocar de trio e que eu daria emprego a mais uma pessoa. Por outro lado, fazendo isso eu “informo” ao contratante que aquele valor que ele paga para duo, pode ser pago para trio. Isso eu não faço. Se esse contratante quiser um trio – que significa melhor qualidade musical no som, vai ter que pagar a mais. Faço isso para elevar a média dos trabalhos da cidade e melhorar a vida de todos os meus companheiros de arte.

Agora eu te pergunto, o que você faz para ajudar seus companheiros?

Até a próxima!!!
HP

Texto também publicado no www.coverbaixo.com.br

Aprenda Contrabaixo

Aprenda Contrabaixo

(Presencial ou Online)

Você tem consciência ao tocar contrabaixo? Quando você toca, você sabe tudo o que está acontecendo na música? Melhor perguntando, você entende a harmonia da música, sabe o que você pode fazer na linha de baixo que se encaixa no gênero musical, sabe criar variações na sua levada, sabe improvisar e sabe fazer tudo isso com uma técnica apurada? Se sua resposta foi não, eu posso resolver o seu problema.

A primeira diferença em minhas aulas é que todo o conteúdo parte do repertório. Assim, tudo o que você aprende já vem contextualizado e sua aplicação prática é direta. Por exemplo, para aprender escalas pentatônicas, você primeiro vai aprender uma música em que a linha de baixo use escala pentatônica. Ao analisar a linha de baixo, você aprende o conceito das escalas. A partir daí, trabalhamos as digitações, possibilidades de aplicações e tudo mais relacionado ao assunto. Apesar de parecer um procedimento simples, essa contextualização é poderosíssima para o desenvolvimento da sua consciência. A coisa que mais ouço dos alunos quando faço isso é “Ah!!! Agora tudo faz sentido!!!”.

De dentro do repertório nós vamos extrair também os conhecimentos de teoria, harmonia e improvisação. Cada música nova te trará um conhecimento novo que você aprenderá por meio de análise e explicação do conteúdo. O passo seguinte é o desenvolvimento técnico e a aplicação prática. Ao final de cada aula você terá exercícios técnicos para desenvolver sua habilidade e atividades relacionadas ao conteúdo para trabalhar e aprimorar. Isso te dará consciência na aplicação do que aprendeu e destreza técnica para executar o que você quiser no contrabaixo.

O conteúdo é gradativo e colocado de uma maneira que você entenderá tudo com profundidade. Cada novo conteúdo será um complemento ou um avanço do anterior e não ficarão lacunas em seu aprendizado. Além disso, o seu aprendizado no meu curso de contrabaixo é completamente interligado. Você não aprenderá apenas porque “tem que aprender”. Você nunca irá para casa com um bando de exercícios sem saber para o quê servem. Você saberá exatamente para que serve cada uma das coisas que você aprender e terá a possibilidade de aplica-las em qualquer contexto musical. Com isso, você terá o que todo estudante de baixo quer mais ter: consciência ao tocar.

O desenvolvimento da consciência ao tocar é um dos maiores diferenciais de meu curso de contrabaixo. Nas aulas, você sempre terá toda a explicação que você precisa para compreender os assuntos com profundidade. Eu sempre questiono muito para instigar seu pensamento e desenvolver o entendimento de seu papel como baixista. Cada linha de baixo, cada música, cada técnica,… será questionada para você aprender como foram feitas e como você poderá aplicar nas músicas que você toca em sua banda. Mais ainda, desenvolvo sua criatividade. Em todas as aulas e em todas as atividades semanais, você estará criando coisas novas, pois o baixista moderno é um baixista que sabe criar e sabe ser o chão da banda.

 

Entre em contato para maiores detalhes e venha fazer uma aula experimental grátis!

 

Galinha Caipira Completa

Um dia, o cavaquinhista Márcio Marinho me ligou convidando para fazer um trabalho de quarteto que ele e o violinista Rafael dos Santos estavam montando e que eu era o contrabaixista para participar desse grupo. Chamaram também o baterista Rafael dos Santos. Estava formado o Galinha Caipira Completa.

Concordo… o nome é meio maluco. Precisávamos definir um nome para o grupo, pois havia um show marcado em um festival de jazz. Semanas se passaram e nada de ideias. Marcamos um almoço em um restaurante para definirmos como “batizar” o grupo e Rafael dos Santos disse “vou abrir esse cardápio e vamos encontrar um nome massa”. Encontramos!

Apesar de termos o cavaquinho como solista do grupo, funcionamos mesmo como quarteto. Cada um contribuía com suas melhores qualidades. Ensaiávamos semanalmente e pirávamos nos arranjos. Uma filosofia que levamos sempre conosco era: Não importa se é difícil de tocar. O que importa é ficar bom.

O trabalho foi baseado na música brasileira, porém com elementos musicais de várias partes do mundo. Abordagens rítmicas, harmonias densas, virtuosismo,… é o CD Galinha Caipira Completa.

Deezer: http://www.deezer.com/album/148547702
iTunes: http://itunes.apple.com/us/album/id1512329591
Spotify: http://open.spotify.com/album/1plYK4KYSWaRKAtoDGqGdE

Destaques

 

A música Mensageiro dos Ventos (Rafael dos Anjos) é uma peça longa, que viaja por vários climas, e é baseada em um “mantra” conduzido pelo violão. Existem várias mudanças de compassos, harmonias, melodias, tudo soando bem natural. Basta ouvir e imaginar um mensageiro dos ventos tocando ao movimento aleatório de uma brisa que você entende a música.

O solo de baixo é daqueles que a gente acerta “na veia”. Acho que foi o primeiro take completo da música. Terminamos com aquela cara de “caraca!!! Que massa!!!”. Tentamos fazer outros takes, mas esse foi o campeão. Trabalhamos nele para manter o solo.

 

Samba do grande amor, de Chico Buarque, já é complicada por natureza. Mas o Rafael dos Anjos conseguiu complicar ainda mais. A base de acompanhamento é toda cheia de convenções e frases, porém o samba ainda está lá por trás. Lembro que a gente precisou de uns 3 ou 4 ensaios só para conseguir tocar a música do início ao fim, rsss.

O solo é a parte mais maluca da música. É aquele tipo em que cada um vai para um lado, mas todo mundo se encontra em algum lugar. Para quem quiser descobrir a brincadeira, o compasso é bem mais simples do que parece.

 

Categorias CDs

Duo 13

O Dou 13 é o grupo que formei com o violonista 7 cordas Félix Júnior. A grande onda nossa é afinidade musical com a qual “nascemos”, rssss. Desde a primeira vez que tocamos juntos, completamente sem ensaio, parecia que já nos conhecíamos há 20 anos. O CD foi consequência dessa maneira de tocar. Nós preparamos os arranjos para que tivéssemos espaço para criações improvisadas, fazendo com que cada novo show a música soasse um pouco diferente. E sempre deixávamos no repertório coisas sem ensaio para sair de completo improviso.

Dividimos as composições entre nós e definimos algumas coisas para a sonoridade. Por exemplo, cada um teria uma música solo, teríamos músicas com participações e outras somente com o duo,…

Quando terminamos tudo, a minha impressão foi que as músicas mais normais eram as minhas e as mais malucas eram do Félix, rssss. No final, foi um ótimo equilíbrio entre as nossas sonoridades individuais e o som do Duo 13.

Deezer: http://www.deezer.com/album/147735522
iTunes: http://itunes.apple.com/us/album/id1512843842
Spotify: http://open.spotify.com/album/5UCf29jxcnAlqm8URx8QqQ

Destaques

 

Salseira é uma das músicas do Félix Júnior bem complicadas de tocar. Coisa que para ele é tranquila, para outros músicos é um nó nos dedos. A música é uma salsa bem para frente, cheia de convenções e frases, onde baixo e violão dobram uma parte da melodia. A harmonia rebuscada e a densidade da música se desenvolvem de maneira tensa, relaxando apenas no solo de baixo.

O improviso é uma “ladeira” acima. Começa bem suave e os elementos vão se desenvolvendo até chegar no clímax e 7, que entrega para a melodia novamente.

 

A música Num quarto só foi composta na cidade de Pirenópolis (GO), quando eu estava passando uma semana por lá. Essa viagem fiz sozinho e compus a música quando estava no hotel.

É uma valsa em 3 partes, com melodias hora estáveis, hora instáveis, com variações de andamento, harmonia um pouco escura. É quase uma música triste, mas me deixa pensativo. Acho essa uma bela composição.

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Altos e Baixos

Esse foi meu primeiro CD solo e o segundo que produzi por completo. O primeiro impulso para a gravação desse CD foi a necessidade de colocar minhas ideias musicais para fora. Já havia colocado em outras ocasiões, mas não em coisas exclusivamente minhas. A carreira como instrumentista também influenciou na gravação, pois sabia que ter minhas composições gravadas me colocaria em um outro patamar musical.

Peguei várias músicas rabiscadas em velhos cadernos de música, compus outras novas e fiz todos os arranjos. Sem ter tanta experiência como arranjador, foi difícil imaginar como iria soar com a banda toda. Fiz como acho que todo mundo faria, na base do bom senso e ouvindo outros artistas como referência. Ainda bem que deu certo!

A formação escolhida foi bateria, baixo, piano, sax e percussão. Eu já tinha a turma na cabeça: Allen Pontes (bateria), José Cabrera (piano), Anderson Pessoa (sax) e Sandro Araújo (percussão). Grandes instrumentistas e grandes amigos com quem eu já tocava há bastante tempo e confiava no desempenho e comprometimento musical.

Juntei a turma em uma chácara e passamos um fim de semana ensaiando, o que nos deu o relaxamento necessário para entender as ideias musicais e gravarmos bem à vontade. O resultado foi bem legal mesmo!

Deezer: http://www.deezer.com/album/145493342
iTunes: http://itunes.apple.com/us/album/id1510848590
Spotify: http://open.spotify.com/album/6Jpe7EGkUGimnLIlTso5AV

Destaques

 

O bom filho à casa torna foi uma “homenagem” a um baixo meu que havia sido roubado e que recuperei após 3 anos. A melodia é bem movimentada, em cima de uma base de partido alto, e o caminho harmônico segue o desenvolvimento da melodia. Lembro que não quis economizar acordes nessa música, rssss.

A parte B serve mais como uma ponte para acrescentar ainda mais tensão, relaxando no C quando entra o samba e as notas mais longas da melodia.

Às vezes gosto de mudar a harmonia dos solos, para ficar diferente da base da melodia e poder criar climas diferentes para os improvisos. Nessa música isso ficou bem legal. Perceba que o solo de sax entra como a continuação do solo de baixo, chegando ao clímax no interlúdio.
Talvez o ponto mais alto da música seja o interlúdio. Piano e sax em 7/8 e baixo, bateria em 7/4. Bem interessante essa polirritmia! O final do interlúdio entrega para voltar à melodia e encerrar a música.

 

Tesselas é uma composição minha com letra de Douglas Umberto Oliveira, que foi composta inicialmente para um CD vocal e fiz a adaptação do arranjo para instrumental.

O que mais me chama a atenção é a suavidade da melodia e como ela cresce à medida que a música se desenvolve. Sou de ficar tocando e cantando por horas.

Lembro quando fiquei tocando por muito tempo a ideia da introdução no violão e viajando naquele som. Foi um mantra que terminou por definir o clima da música em minha cabeça. A partir daí, comecei a desenvolver a melodia.
Como seria uma música cantada, procurei deixar a melodia com mais respirações e dentro de uma extensão mais curta, coisa que não me preocupo tanto quando componho para instrumental.

O trecho que mais gosto é o interlúdio, logo após o solo. Duas melodias em contraponto, uma principal e outra secundária, que no meio da melodia invertem de posição. Dá uma baita crescida para entregar no B da melodia.

O ponto alto é o solo de sax no final. Foi gravado de primeira, ainda quando estávamos montando a base da música. A interação do grupo nesse solo é incrível, com destaque para Allen Pontes. É impressionante como ele dialoga com todos os instrumentos.

Categorias CDs

Você estuda com Drone Notes?

Drone Note Image

Drone Note Image

 

Esse primeiro semestre de 2017, estudei bastante sobre como montar uma agenda de estudos efetiva e abrangente. Procurei identificar os pontos chaves que todo baixista deve estudar, como abordar as diferentes possibilidades de estudos e como criar uma agenda de estudos efetiva. Depois vou falar mais extensamente sobre os resultados do meu trabalho. Voltando ao assunto desse texto…

Após concluir meus estudos, levei minhas conclusões para meu professor Chris Fitzgerald e discutimos sobre tudo. Ele ouviu atentamente cada etapa que eu tinha definido e tomou várias anotações. Ao final, ele ponderou algumas coisas e perguntou “isso é para baixo fretless também?” Eu disse que sim. Então ele sugeriu, acrescente um tempo para estudar com Drone Notes.

O Drone, como provavelmente todos conhecem, é aquele aparelhinho que voa e que está ficando bastante famoso ultimamente. Porém, a definição da palavra drone se refere a um som contínuo (o aparelhinho quando voa emite um som contínuo). Então, estudar com Drone Notes é estudar com um som contínuo.

De cara já saquei o que ele quis com essa sugestão: afinação. Realmente, um problema difícil de ser resolvido por baixistas que tocam fretless (e acústico) é a precisão da afinação. Eu me incluo nesse meio. Apesar de ter uma boa afinação no fretless, não me considero no nível que gostaria de ter. Quando o assunto é tocar lendo uma partitura, onde é complicado tirar o olho do papel para conferir se o dedo está no lugar certo, a afinação compromete um pouco.

Seguindo o conselho, criei os arquivos de Drone Notes e comecei a estudar ouvido o “aviãozinho”. Para minha surpresa, o efeito na afinação foi imediato. Percebi claramente e com um nível de precisão bem maior as minhas falhas de afinação. Porém, uma outra surpresinha apareceu nesse estudo.

Como no momento eu estava estudando todas as digitações e as conexões entre as digitações da escala menor melódica, em especial para aplicar a escala alterada, usei a Drone Note como tônica dessa escala. A surpresa que me veio foi simplesmente relacionar de maneira mas profunda (= aural) a relação entre a escala alterada e o som do acorde. Isso me acrescentou mais um nível de compreensão do que eu estava estudando. Além da digitação em si, que trabalha a memória física da escala, vinculei isso à percepção aural do som da escala.

Em geral, no meu procedimento de estudo, essa vinculação aural só se daria quando eu estivesse estudando a escala alterada em uma música ou em uma progressão harmônica. O grande ganho aqui foi me conectar de maneira aural com a escala alterada desde a fase de estudo técnico, até chegar ao estudo musical.

Como consequência, fico imaginando o baixista aplicando as Drone Notes quando estiver estudando escalas. Isso vai ajudar a “entender” a sonoridade da escala a partir de sua tônica ou a partir de qualquer grau, nessa caso quando estiver estudando modos gregos.

Então fica a sugestão para todos praticarem com Drone Notes. Em especial para que toca fretless. E para quem quiser estudar usando as Drone Notes que eu produzi no meu teclado, basta acessar o link aqui abaixo para acessar a playlist do meu canal do YouTube com todas as notas. Quando estava escolhendo as notas, procurei encontrar a região mais consonante com a tessitura do baixo… Espero que goste!!!