Aprenda Contrabaixo

Aprenda Contrabaixo

(Presencial ou Online)

Você tem consciência ao tocar contrabaixo? Quando você toca, você sabe tudo o que está acontecendo na música? Melhor perguntando, você entende a harmonia da música, sabe o que você pode fazer na linha de baixo que se encaixa no gênero musical, sabe criar variações na sua levada, sabe improvisar e sabe fazer tudo isso com uma técnica apurada? Se sua resposta foi não, eu posso resolver o seu problema.

A primeira diferença em minhas aulas é que todo o conteúdo parte do repertório. Assim, tudo o que você aprende já vem contextualizado e sua aplicação prática é direta. Por exemplo, para aprender escalas pentatônicas, você primeiro vai aprender uma música em que a linha de baixo use escala pentatôncia. Ao analisar a linha de baixo, você aprende o conceito das escalas. A partir daí, trabalhamos as digitações, possibilidades de aplicações e tudo mais relacionado ao assunto. Apesar de parecer um procedimento simples, essa contextualização é poderosíssima para o desenvolvimento da sua consciência. A coisa que mais ouço dos alunos quando faço isso é “Ah!!! Agora tudo faz sentido!!!”.

De dentro do repertório nós vamos extrair também os conhecimentos de teoria, harmonia e improvisação. Cada música nova te trará um conhecimento novo que você aprenderá por meio de análise e explicação do conteúdo. O passo seguinte é o desenvolvimento técnico e a aplicação prática. Ao final de cada aula você terá exercícios técnicos para desenvolver sua habilidade e atividades relacionadas ao conteúdo para trabalhar e aprimorar. Isso te dará consciência na aplicação do que aprendeu e destreza técnica para executar o que você quiser no contrabaixo.

O conteúdo é gradativo e colocado de uma maneira que você entenderá tudo com profundidade. Cada novo conteúdo será um complemento ou um avanço do anterior e não ficarão lacunas em seu aprendizado. Além disso, o seu aprendizado no meu curso de contrabaixo é completamente interligado. Você não aprenderá apenas porque “tem que aprender”. Você nunca irá para casa com um bando de exercícios sem saber para o quê servem. Você saberá exatamente para que serve cada uma das coisas que você aprender e terá a possibilidade de aplica-las em qualquer contexto musical. Com isso, você terá o que todo estudante de baixo quer mais ter: consciência ao tocar.

O desenvolvimento da consciência ao tocar é um dos maiores diferenciais de meu curso de contrabaixo. Nas aulas, você sempre terá toda a explicação que você precisa para compreender os assuntos com profundidade. Eu sempre questiono muito para instigar seu pensamento e desenvolver o entendimento de seu papel como baixista. Cada linha de baixo, cada música, cada técnica,… será questionada para você aprender como foram feitas e como você poderá aplicar nas músicas que você toca em sua banda. Mais ainda, desenvolvo sua criatividade. Em todas as aulas e em todas as atividades semanais, você estará criando coisas novas, pois o baixista moderno é um baixista que sabe criar e sabe ser o chão da banda.

Funcionamento do curso

O curso consiste em um pacote de 20 aulas, que pode ser renovado quantas vezes você quiser. As vagas disponíveis são na Asa Norte às segundas-feiras, ou às terças-feiras em Águas Claras ou online, via Skype.

Para começar, teremos um primeiro encontro para identificar seus objetivos e dificuldades. Se você for um aluno online, esse encontro também servirá para conferirmos se o equipamento disponível e a conexão é suficiente para o seu aprendizado. Identificados os objetivos e dificuldades, eu individualizo o programa e começamos a trabalhar.

Entre em contato comigo e venha fazer uma aula experimental grátis!

 

Galinha Caipira Completa

Um dia, o cavaquinhista Márcio Marinho me ligou convidando para fazer um trabalho de quarteto que ele e o violinista Rafael dos Santos estavam montando e que eu era o contrabaixista para participar desse grupo. Chamaram também o baterista Rafael dos Santos. Estava formado o Galinha Caipira Completa.

Concordo… o nome é meio maluco. Precisávamos definir um nome para o grupo, pois havia um show marcado em um festival de jazz. Semanas se passaram e nada de ideias. Marcamos um almoço em um restaurante para definirmos como “batizar” o grupo e Rafael dos Santos disse “vou abrir esse cardápio e vamos encontrar um nome massa”. Encontramos!

Apesar de termos o cavaquinho como solista do grupo, funcionamos mesmo como quarteto. Cada um contribuía com suas melhores qualidades. Ensaiávamos semanalmente e pirávamos nos arranjos. Uma filosofia que levamos sempre conosco era: Não importa se é difícil de tocar. O que importa é ficar bom.

O trabalho foi baseado na música brasileira, porém com elementos musicais de várias partes do mundo. Abordagens rítmicas, harmonias densas, virtuosismo,… é o CD Galinha Caipira Completa.

Destaques:

A música Mensageiro dos Ventos (Rafael dos Anjos) é uma peça longa, que viaja por vários climas, e é baseada em um “mantra” conduzido pelo violão. Existem várias mudanças de compassos, harmonias, melodias, tudo soando bem natural. Basta ouvir e imaginar um mensageiro dos ventos tocando ao movimento aleatório de uma brisa que você entende a música.

O solo de baixo é daqueles que a gente acerta “na veia”. Acho que foi o primeiro take completo da música. Terminamos com aquela cara de “caraca!!! Que massa!!!”. Tentamos fazer outros takes, mas esse foi o campeão. Trabalhamos nele para manter o solo.

Samba do grande amor, de Chico Buarque, já é complicada por natureza. Mas o Rafael dos Anjos conseguiu complicar ainda mais. A base de acompanhamento é toda cheia de convenções e frases, porém o samba ainda está lá por trás. Lembro que a gente precisou de uns 3 ou 4 ensaios só para conseguir tocar a música do início ao fim, rsss.

O solo é a parte mais maluca da música. É aquele tipo em que cada um vai para um lado, mas todo mundo se encontra em algum lugar. Para quem quiser descobrir a brincadeira, o compasso é bem mais simples do que parece.

 

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Duo 13

O Dou 13 é o grupo que formei com o violonista 7 cordas Félix Júnior. A grande onda nossa é afinidade musical com a qual “nascemos”, rssss. Desde a primeira vez que tocamos juntos, completamente sem ensaio, parecia que já nos conhecíamos há 20 anos. O CD foi consequência dessa maneira de tocar. Nós preparamos os arranjos para que tivéssemos espaço para criações improvisadas, fazendo com que cada novo show a música soasse um pouco diferente. E sempre deixávamos no repertório coisas sem ensaio para sair de completo improviso.

Dividimos as composições entre nós e definimos algumas coisas para a sonoridade. Por exemplo, cada um teria uma música solo, teríamos músicas com participações e outras somente com o duo,…

Quando terminamos tudo, a minha impressão foi que as músicas mais normais eram as minhas e as mais malucas eram do Félix, rssss. No final, foi um ótimo equilíbrio entre as nossas sonoridades individuais e o som do Duo 13.

Destaques:

Salseira é uma das músicas do Félix Júnior bem complicadas de tocar. Coisa que para ele é tranquila, para outros músicos é um nó nos dedos. A música é uma salsa bem para frente, cheia de convenções e frases, onde baixo e violão dobram uma parte da melodia. A harmonia rebuscada e a densidade da música se desenvolvem de maneira tensa, relaxando apenas no solo de baixo.

O improviso é uma “ladeira” acima. Começa bem suave e os elementos vão se desenvolvendo até chegar no clímax e 7, que entrega para a melodia novamente.

A música Num quarto só foi composta na cidade de Pirenópolis (GO), quando eu estava passando uma semana por lá. Essa viagem fiz sozinho e compus a música quando estava no hotel.

É uma valsa em 3 partes, com melodias hora estáveis, hora instáveis, com variações de andamento, harmonia um pouco escura. É quase uma música triste, mas me deixa pensativo. Acho essa uma bela composição.

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Altos e Baixos

Esse foi meu primeiro CD solo e o segundo que produzi por completo. O primeiro impulso para a gravação desse CD foi a necessidade de colocar minhas ideias musicais para fora. Já havia colocado em outras ocasiões, mas não em coisas exclusivamente minhas. A carreira como instrumentista também influenciou na gravação, pois sabia que ter minhas composições gravadas me colocaria em um outro patamar musical.

Peguei várias músicas rabiscadas em velhos cadernos de música, compus outras novas e fiz todos os arranjos. Sem ter tanta experiência como arranjador, foi difícil imaginar como iria soar com a banda toda. Fiz como acho que todo mundo faria, na base do bom senso e ouvindo outros artistas como referência. Ainda bem que deu certo!

A formação escolhida foi bateria, baixo, piano, sax e percussão. Eu já tinha a turma na cabeça: Allen Pontes (bateria), José Cabrera (piano), Anderson Pessoa (sax) e Sandro Araújo (percussão). Grandes instrumentistas e grandes amigos com quem eu já tocava há bastante tempo e confiava no desempenho e comprometimento musical.

Juntei a turma em uma chácara e passamos um fim de semana ensaiando, o que nos deu o relaxamento necessário para entender as ideias musicais e gravarmos bem à vontade. O resultado foi bem legal mesmo!

Destaques:

O bom filho à casa torna foi uma “homenagem” a um baixo meu que havia sido roubado e que recuperei após 3 anos. A melodia é bem movimentada, em cima de uma base de partido alto, e o caminho harmônico segue o desenvolvimento da melodia. Lembro que não quis economizar acordes nessa música, rssss.

A parte B serve mais como uma ponte para acrescentar ainda mais tensão, relaxando no C quando entra o samba e as notas mais longas da melodia.

Às vezes gosto de mudar a harmonia dos solos, para ficar diferente da base da melodia e poder criar climas diferentes para os improvisos. Nessa música isso ficou bem legal. Perceba que o solo de sax entra como a continuação do solo de baixo, chegando ao clímax no interlúdio.
Talvez o ponto mais alto da música seja o interlúdio. Piano e sax em 7/8 e baixo, bateria em 7/4. Bem interessante essa polirritmia! O final do interlúdio entrega para voltar à melodia e encerrar a música.

Tesselas é uma composição minha com letra de Douglas Umberto Oliveira, que foi composta inicialmente para um CD vocal e fiz a adaptação do arranjo para instrumental.

O que mais me chama a atenção é a suavidade da melodia e como ela cresce à medida que a música se desenvolve. Sou de ficar tocando e cantando por horas.

Lembro quando fiquei tocando por muito tempo a ideia da introdução no violão e viajando naquele som. Foi um mantra que terminou por definir o clima da música em minha cabeça. A partir daí, comecei a desenvolver a melodia.
Como seria uma música cantada, procurei deixar a melodia com mais respirações e dentro de uma extensão mais curta, coisa que não me preocupo tanto quando componho para instrumental.

O trecho que mais gosto é o interlúdio, logo após o solo. Duas melodias em contraponto, uma principal e outra secundária, que no meio da melodia invertem de posição. Dá uma baita crescida para entregar no B da melodia.

O ponto alto é o solo de sax no final. Foi gravado de primeira, ainda quando estávamos montando a base da música. A interação do grupo nesse solo é incrível, com destaque para Allen Pontes. É impressionante como ele dialoga com todos os instrumentos.

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Você estuda com Drone Notes?

Drone Note Image

Drone Note Image

 

Esse primeiro semestre de 2017, estudei bastante sobre como montar uma agenda de estudos efetiva e abrangente. Procurei identificar os pontos chaves que todo baixista deve estudar, como abordar as diferentes possibilidades de estudos e como criar uma agenda de estudos efetiva. Depois vou falar mais extensamente sobre os resultados do meu trabalho. Voltando ao assunto desse texto…

Após concluir meus estudos, levei minhas conclusões para meu professor Chris Fitzgerald e discutimos sobre tudo. Ele ouviu atentamente cada etapa que eu tinha definido e tomou várias anotações. Ao final, ele ponderou algumas coisas e perguntou “isso é para baixo fretless também?” Eu disse que sim. Então ele sugeriu, acrescente um tempo para estudar com Drone Notes.

O Drone, como provavelmente todos conhecem, é aquele aparelhinho que voa e que está ficando bastante famoso ultimamente. Porém, a definição da palavra drone se refere a um som contínuo (o aparelhinho quando voa emite um som contínuo). Então, estudar com Drone Notes é estudar com um som contínuo.

De cara já saquei o que ele quis com essa sugestão: afinação. Realmente, um problema difícil de ser resolvido por baixistas que tocam fretless (e acústico) é a precisão da afinação. Eu me incluo nesse meio. Apesar de ter uma boa afinação no fretless, não me considero no nível que gostaria de ter. Quando o assunto é tocar lendo uma partitura, onde é complicado tirar o olho do papel para conferir se o dedo está no lugar certo, a afinação compromete um pouco.

Seguindo o conselho, criei os arquivos de Drone Notes e comecei a estudar ouvido o “aviãozinho”. Para minha surpresa, o efeito na afinação foi imediato. Percebi claramente e com um nível de precisão bem maior as minhas falhas de afinação. Porém, uma outra surpresinha apareceu nesse estudo.

Como no momento eu estava estudando todas as digitações e as conexões entre as digitações da escala menor melódica, em especial para aplicar a escala alterada, usei a Drone Note como tônica dessa escala. A surpresa que me veio foi simplesmente relacionar de maneira mas profunda (= aural) a relação entre a escala alterada e o som do acorde. Isso me acrescentou mais um nível de compreensão do que eu estava estudando. Além da digitação em si, que trabalha a memória física da escala, vinculei isso à percepção aural do som da escala.

Em geral, no meu procedimento de estudo, essa vinculação aural só se daria quando eu estivesse estudando a escala alterada em uma música ou em uma progressão harmônica. O grande ganho aqui foi me conectar de maneira aural com a escala alterada desde a fase de estudo técnico, até chegar ao estudo musical.

Como consequência, fico imaginando o baixista aplicando as Drone Notes quando estiver estudando escalas. Isso vai ajudar a “entender” a sonoridade da escala a partir de sua tônica ou a partir de qualquer grau, nessa caso quando estiver estudando modos gregos.

Então fica a sugestão para todos praticarem com Drone Notes. Em especial para que toca fretless. E para quem quiser estudar usando as Drone Notes que eu produzi no meu teclado, basta acessar o link aqui abaixo para acessar a playlist do meu canal do YouTube com todas as notas. Quando estava escolhendo as notas, procurei encontrar a região mais consonante com a tessitura do baixo… Espero que goste!!!

Falando sobre cantores e instrumentistas

Ser um músico que faz trabalhos vocais e instrumentais, produz CDs e DVDs, produz shows,… me deixa numa posição privilegiada para observar muitas coisas nas relações interpessoais dentro da música. Uma delas é a relação entre instrumentistas e cantores, que sabemos ser bem abaladas e que cada lado tem grandes objeções em relação ao outro. A ideia de escrever sobre isso já estava latente depois de muitas conversas sobre esse assunto com a cantora Lidi Satier no Brasil. Essa semana, pela presença de uma cantora aqui na universidade, vi que as percepções (negativas) sobre os cantores (especialmente “as”) também ocorrem por aqui nos Estados Unidos. Sendo assim, coloco minhas impressões sobre as reclamações de cada lado, com direito a um bom puxão de orelha. Nos dois.

Ouço de cantores e cantoras que os instrumentistas só pensam na complexidade da harmonia da música, nos instrumentos e elementos dos arranjos, mas nunca em como a voz se coloca na música. Que quando os cantores pedem para simplificar o arranjo ou eliminar um solo é quase que uma afronta ao trabalho intelectual deles. Que não se preocupam com a roupa que vai se apresentar ou que os detalhes do show como posicionamento de palco, trocas de luz, trocas de roupas, cenário,… são uma perda de tempo.

Do outro lado, os instrumentistas reclamam dos exaustivos e incontáveis ensaios para um único show. Reclamam que um cantor não pode ser comparado a um instrumentista porque não sabe (ou sabe muito pouco) de música, que não pode complicar o arranjo porque ele ou ela não vai “saber como entrar”, que é muito ruim de afinação…. e por aí vai.

Quem está errado nessa estória? Para mim, os dois. Explico…

Defendendo os cantores

Amigo instrumentista, compreenda que seu trabalho não é mais importante que o do cantor ou da cantora. A música vocal trabalha elementos diferentes da música instrumental. A música instrumental explora quase que exclusivamente os materiais sonoros (notas, acordes e ritmos) e a transmissão de mensagem na música instrumental é puramente subjetiva. Você apenas “sente” o que quer passar para o ouvinte. O deleite do público é quase que exclusivamente a apreciação dos materiais sonoros trabalhados.  Já a música vocal explora uma maior variedade de percepções. A transmissão da mensagem é mais objetiva por existir uma letra, o que dá um nível de compreensão bem maior por parte do ouvinte. O deleite do público, além dos materiais sonoros, inclui a mensagem da letra e seu reforço cênico/visual.

O que quero dizer com isso? Que para a música vocal mais vale o equilíbrio entre as sensações trabalhadas que sua maestria em rearmonizar aquela melodia. Que para o deleite do público ser perfeito às vezes é preciso tocar apenas tríades, com pouca iluminação no palco e o cantor/cantora precisa estar com uma roupa específica e ajoelhado/ajoelhada ao interpretar. Que por existir uma compreensão mais direta por causa da letra, faz muito mais sentido para o público que hajam elementos visuais verdes em um show que fala sobre natureza que tecidos azuis  no palco simbolizando sua inspiração no mar na sua composição instrumental. São coisas diferentes e merecem abordagens diferentes.

A presença da letra na música vocal tem um peso enorme e tráz o centro das atenções para o cantor/cantora. Os materiais sonoros passam a complementar o sentido dessa letra. É claro que tem muuuuuito espaço a ser explorado com os materiais sonoros e que sua aplicação depende muito da criativade e experiência dos músicos, mas as palavras-chave são coerência e equilíbrio. Então, se não quer que a voz sobressaia sobre seu trabalho, simplesmente recuse quando for convidado. Não aceite “por causa da grana” pra depois ficar reclamando. Isso é muito feio! Se aceitar o trabalho, entenda o espetáculo por completo, entenda o sentido de cada seção do show, entenda o sentido de cada música, de cada letra e trabalhe para que o público tenha uma experiência plena. Entenda que, por mais que você domine seu instrumento com maestria, você é uma peça do todo e deve agir em prol desse todo.

Vários cantores já me falaram o quanto é ruim “barganhar” com o/a instrumentista para que ele/ela faça minimamente direito o trabalho para o qual foi contratado. Também me falaram a sensação de desprezo que recebem dos instrumentistas que passam a música mal passada nos ensaios e ficam com aquela cara de “é música vocal… não merece meu esforço para sair bem feita…” Acho que você não iria gostar se eu fizesse isso no seu show instrumental.

Então, amigo instrumentista, quando for fazer um trabalho assim, acerte todos os detalhes, incluindo quantidade de ensaios, arranjos a escrever, possíveis mudanças, horários de montagem e passagem de som, vestimenta,… e faça seu trabalho como um bom profissional. Se as condições ou qualidade do trabalho não lhe agradam, deixe a vaga para outra pessoa que se encaixa melhor.

Defendendo os instrumentistas

Prezados cantores, o nosso tempo de trabalho (o de vocês também) é muito valioso e não estamos disponíveis infinitos ensaios nem para “investimentos”, do mesmo jeito que as pessoas não estão infinitamente disponíveis nem “investem” em nossos trabalhos pessoais (uso a palavra “nosso” porque me incluo nesse lado). O lançamento de seu CD é apenas seu. Para mim, é um trabalho o qual eu dedico toda minha experiência e musicalidade (nesse caso, uso a primeira pessoa do singular porque sei que nem todo instrumentista se dedica nesse nível). Então, para o lançamento de seu CD, faça um planejamento completo do que você precisa para seu show, dimensione tudo, contrate pessoas (competentes) para te ajudar a definir coisas que você não possa saber (diretor musical, por exemplo) e execute exatamente como planejado. O recurso financeiro deve ser compatível com o tamanho de seu planejamento. Se não tem disponível, reduza o tamanho do projeto ou adie. Por experiência posso dizer que uma remuneração compatível com o tamanho do trabalho deixa todos os profissionais envolvidos muito engajados em seu projeto.

Estudem música e técnica vocal. O mesmo talento que vocês têm para a música nós também temos. Porém, só estamos nas suas bandas porque temos as habilidades necessárias (domínio do instrumento, conhecimentos de harmonia, de estilos musicais, de leitura, de improvisação,…) para executar nossas funções com competência (eu sei que muitos de vocês também têm) e velocidade (em muitos casos resolvemos a música mais rápidos que vocês). Entender a parte teórica da música (harmonia, escalas, forma, leitura, arranjo,…) é altamente produtivo para a preparação do seu show e principalmente para o seu posicionamento como artista. Você estará bem mais confiante em tudo, não precisará de “dicas de entrada” e poderá opinar com muita propriedade na função de cada músico como peça componente de seu espetáculo. Além disso, você auxilia muito o trabalho de seu/sua diretor/diretora musical para alcançar os objetivos que vocês planejaram.

Afinação é regra. Para cantores e instrumentistas.

Em meu trabalho como diretor musical de shows, me sinto muito mais confiante num resultado de excelência quando tenho uma equipe de instrumentistas e cantores altamente qualificados. Alguns exemplos… Com os instrumentistas certos, resolvo shows simples e médios com um ou dois ensaios e shows complicados com até três ensaios. Resolver significa chegar no palco com perfeição. Trabalho com cantores que às vezes só mando a partitura de uma melodia para ser executada e e eles chegam no ensaio com ela “embaixo do gogó”. Conheço uma cantora que sabe todas as entradas de todos instrumentos em seu show e que pode cantar todas as melodias de cada um deles. Presenciei uma cantora corrigindo nota errada em uma introdução bem complicada que um guitarrista estava tocando (acho que era numa música do Guinga). Para uma aluna cantora no Brazilian Ensemble aqui nos Estados Unidos, eu entrego a mesma partitura que entrego para o saxofonista executar. Para todos eles (instrumentistas e cantores) basta dizer “o solo de bateria tem 22 compassos” e todos entram no lugar certo.

Nas duas áreas, vocal e instrumental, quanto maior compreensão de todas as facetas da música, melhor será o resultado artístico da obra.

Delimitando a área da discussão

Esse texto se baseia apenas nas reclamações que descrevi no segundo e terceiro parágrafo e, obviamente, o assunto é muito mais complexo e extenso que o descrito aqui. As impressões que coloco são baseadas nas minhas experiências e você tem todo o direito de discordar. O mais importante que eu acho disso tudo é entendermos que temos falhas a consertar, posturas a rever e, principalmente, temos que respeitar as especificidades do trabalho de cada um. Deixo claro também que não discuto nesse texto a questão dos cantores e instrumentistas amadores, pelo simples fato de não ter pensado na posição deles em relação a esse assunto.

Um assunto que preferi deixar de fora é a reclamação de instrumentistas sobre cantores que “esquecem” da banda que “investiu no trabalho” quando alcançam o “sucesso”. Deixei de fora porque, além de existirem muitas variáveis delicadas nas mudanças que o “sucesso” pode razer, o ato deliberado de “esquecer” não é problema somente de cantores. Isso é de falta de caráter da pessoa humana e acontece também com instrumentistas que alcançam o “sucesso”. Só é mais recorrente na música vocal por esta ser mais lucrativa e ter maior apelo de mercado.

Finalizando

Para pensar… O que um lado pode aprender com o outro e incorporar na sua forma de fazer arte? Será que esses lados não podem ser simplesmente o mesmo todo, respeitando suas especificidades? Será que cantores e instrumentistas não podem realizar uma música que não seja instrumental nem vocal, mas que seja apenas música? Isso é tema para um próximo texto…