Links úteis – Hamilton Pinheiro

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Como definir o nível musical no contrabaixo?

Na minha vida como aluno e como professor de baixo, sempre me deparei com a tríade básico-intermediário-avançado quando se falava em níveis de desenvolvimento do estudante, porém nunca entendi realmente os limites entre cada um. Da mesma forma, nunca encontrei textos que dissertassem sobre o assunto. Assim, coloco aqui como eu divido esses níveis.

No meu entendimento, os dois pilares que sustentam a divisão de níveis de desenvolvimento são a capacidade de compreender minimamente como a música tonal se organiza e a capacidade de aplicar os conhecimentos em linhas de baixo e improvisação. Saliento que a improvisação possui nível grande de importância na minha maneira de ensinar por sua capacidade de desenvolver a criatividade. O aluno que improvisa, cria melhor.

Sabendo que esses pilares são são direcionados especificamente ao contrabaixo, eu elegi os assuntos relacionados a campo harmônico como sendo o grande divisor de águas. A partir do momento que o aluno entende como a tonalidade funciona, como os acordes da tonalidade se organizam e se originam da escala da tonalidade e como pode usar os arpejos dos acordes e a própria escala da tonalidade para criação de linhas de baixo e frases, ele ou ela começam a entender mais profundamente como a música se organiza. É a transição do nível básico para o intermediário.

Quando ensino contrabaixo, todo o conteúdo do nível básico é direcionado para essa transição. O aluno aprende o conceito de escalas, acordes, linhas de baixo, frases, aplicações, desenvolvimento técnico, etc., mas nunca com uma compreensão completa de como esses conceitos funcionam. O entendimento da tonalidade, do campo harmônico e sua aplicação nas linhas de baixo meio que “juntam tudo em uma coisa só” chamada música.

A divisão entre nível intermediário e avançado é mais subjetiva. Ela se revela mais na autonomia em que o aluno consegue aplicar os conhecimentos que adquiriu. Em outras palavras, em quão natural um aluno consegue criar uma linha de baixo coerente e aplicar variações e frases em uma música que nunca havia tocado antes. Observo o quanto o aluno “anda sozinho”. Para chegar a essa conclusão, é importante observar o desenvolvimento técnico, principalmente no que se refere à habilidade de identificar e executar escalas e arpejos no braço do instrumento, e observar as conexões mentais que o aluno faz para a criação das linhas e frases.

Ainda explicando a transição entre intermediário e avançado, basicamente procuro verificar que o aluno se apropriou do que aprendeu. Se apropriar no sentido de entender e executar. A execução aqui é o mais importante porque o entendimento em si se adquire quando se alcança o nível intermediário. O aluno do nível intermediário “sabe” como funciona. Entende como se constrói e como deve fazer para executar. Porém, hora de tocar, não sai nada muito diferente do que já executava antes.

Chegado o nível avançado, o trabalho é mostrar todas as variantes que a música tem. No caso do contrabaixo, pela íntima relação que a criação de linhas tem com harmonia, meu foco é a harmonia e improvisação. Mostrar todas as “quebras de regras” que a música possui (pelo menos, todas as que eu conheço), enquanto solidifica todo o trabalho.

Compreendido como eu divido os níveis de desenvolvimento no contrabaixo, preciso colocar algumas coisas bem importantes aqui. Primeiro, não tenha pressa, tenha empolgação. O aprendizado da música é um game com infinitas fases. Algumas fáceis, outras difíceis, mas sempre emocionantes. Observe mais as fases que conquistou que as que ainda não conseguiu passar. Isso tornará seu aprendizado leve.

Segundo, não pule etapas. A sistematização que coloquei aqui é baseada em anos de experiência. Não adianta aprender campo harmônico apenas para se dizer de nível intermediário, pois você continuará sem base e essa “conta” será cobrada mais a frente. Não adianta saber campo harmônico e não saber porque tanto a escala da pentatônica da tonalidade quanto as escalas pentatônicas de cada acorde funcionam para improvisar.

Terceiro, não se preocupe com a classificação básico-intermediário-avançado. Não se preocupe tanto com diplomas, a não ser que você tenha vontade de entrar no mundo acadêmico. Ter diplomas no currículo é legal, mas tocar bem é mais importante. Nenhuma banda vai te chamar pelo diploma que está na parede de sua casa. Vai te chamar pelo som que você faz.

Abraço,

HP

 

 

Quatro

O CD Quatro é o meu mais recente trabalho e, de longe, o mais denso até o momento. Nesse trabalho, fica perceptível a mudança de minha sonoridade através dos anos. Os CDs anteriores foram baseados na música brasileira, mas o Quatro passeou por outas áreas. A raíz é brasileira, mas outras influências ficaram mais fortes.

As composições são mais longas que usualmente faço e procurei colocar as ideias mais lentamente. Exploro bastante uma sonoridade antes de partir para uma outra sessão da música. Isso me dá um leque interpretativo muito grande.

Deezer: http://www.deezer.com/album/145804052
iTunes: http://itunes.apple.com/us/album/id1511536263
Spotify: http://open.spotify.com/album/0bRToOg3GUV2zDS6kLuScy

Destaques

 

Hope é a música que abre CD. É baseada em um motivo melódico que desenvolvo durante a música. Esse motivo passeia por vários lugares antes de chegar à segunda parte da música, mais lenta e tranquila. Pela forma longa, pude dividir os solos entre o baixo e o piano, deixando cada um com um clima bem distinto. Eu gosto bastante dessa abordagem.

 

Uma coisa interessante que percebi é o quanto a inflexão do nosso xote se parece com a do jazz. Possuem o mesmo tipo de subdivisão rítmica. Assim, simplesmente compus uma melodia típica de um bebop, porém toco como um xote. O resultado é bem interessante!

 

Categorias CDs

Live Hamilton Pinheiro Trio

Olá, amigo! (English text below)

Se você chegou aqui, é porque está assistindo à live Hamilton Pinheiro Trio e agradeço muito sua participação. Nessa página você encontra meios para sua contribuição voluntária. Escolha a que lhe for mais conveniente.

A arte é o que está mantendo a nossa sanidade durante essa pandemia. Todos nós estamos recorrendo a filmes, shows na internet, desenhando, aprendendo um instrumento musical, escrevendo, pintando. A arte mantém a chama de nossa existência nesses tempos difíceis.

Esse show é gratuito, porém sua contribuição é muito importante para todas as pessoas que estão aqui comigo, na frente e atrás das câmeras. A perda de renda dos profissionais da cultura é imensa e você pode contribuir para que passemos por isso sem maiores danos.

Agradeço, antes de tudo, sua participação no show. Você nos assistir é o que nos faz continuar fazendo arte. Escolha a forma de transferência mais conveniente para você.

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Hello!!

If you reached this page, you are watching the Hamilton Pinheiro Trio live concert. Thank you very much!

Art has helped us to keep our sanity during the pandemic. People have watched movies, series, and live concerts. People also have started to write, to paint, to draw and to learn a musical instrument. Art has helped us to go through these difficult days.

Unfortunately, arts industry professionals have faced a huge lost in their incomes. They were the first ones to stop and will be the last ones to go back to work. You can help all guys working on this concert, in front and behind the cameras, with your donation. Feel free to use any means below to donate any amount.

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Sobre música, trabalho e coronavírus

Sobre música, trabalho e coronavírus

* Esse é um post sobre música, mas certamente se aplica a todas as artes.

Não é só trabalho, é arte.

Já perguntou a um músico porque escolheu essa profissão? A resposta mais comum é “não tem como ser diferente. Faz parte de mim”. É assim que todos os músicos se sentem. Trabalhar com música é simplesmente parte da vida de cada um e não ser músico é equivalente a não existir como ser humano.

Eu já tinha consciência disso por causa de minha própria vida. Simplesmente não é possível eu não ser músico. Porém, comecei a perceber o quanto isso é verdade em festas de casamento. Observei que, quando um dos noivos era instrumentista, o instrumento musical fazia parte das fotos do casamento. Daí eu pensei que, num evento social tão significativo quanto um casamento, por que um instrumento musical estaria nas fotos que farão parte das recordações mais importantes do casal? Minha resposta: porque não é simplesmente para colocar um objeto para compor uma foto. Tem importância suficiente na vida dessa pessoa para o instrumento estar lá. Você verifica relação semelhante pela presença de animais de estimação nessas fotos.

Lembro a primeira vez que percebi isso. Eram as fotos do casamento de Marcos Paulo Merê e Fran Ungarelli. Várias belas fotos do casal e, em algumas delas, o contrabaixo acústico nas mãos do Merê! A arte musical da Fran também estava representada nas fotos, mas não na forma de um instrumento musical físico. Ela, como cantora, sempre tem sua arte atrelada a sua imagem porque o instrumento dela é parte de seu corpo.

Nos dias de hoje, quando todos os bares, restaurantes, teatros e casas noturnas foram fechados e todos os shows e eventos cancelados por causa da pandemia do coronavírus, você percebe a necessidade dos músicos em exercer sua arte independente da existência dos palcos reais. A quantidade de lives no Instagram e no Facebook de pessoas simplesmente tocando/cantando aumentou incrivelmente. Você pode assistir a shows todos os dias, se quiser. Além do “palco virtual”, há vários casos, seguindo o que começou na Itália, onde músicos colocam caixas de som na varanda e fazem shows para a vizinhança. No prédio ao lado do meu existe um desses músicos e ouço os gritos de empolgação vindo de todos os lados quando ele canta.

 

Não é só arte, é trabalho.

Na última década, tenho verificado uma pressão nas relações de trabalho dos músicos que causa uma grande redução na renda média e acredito que seja, pelo menos em parte, pela relação pessoal com a arte. Aqui em Brasília, em 11 anos houve uma redução média de 45% do valor dos cachês*. Você já se imaginou recebendo 45% a menos? É isso o que acontece com músicos do Distrito Federal em 2020.

Acredito que essa pressão nas relações de trabalho acontece porque a arte vem antes do trabalho na cabeça da maioria de nós músicos. Assim, muitas vezes aceitamos tocar por um valor abaixo do que merecemos para “fazer um som com os amigos”. Aceitamos tocar por menos para ter a oportunidade de exercer nossa arte e voltarmos mais felizes para casa. Infelizmente, pessoas se aproveitam disso e o resultado é uma considerável queda em nossa renda com o passar dos anos.

Como resolver isso? Cabe a nós pensar no coletivo, da mesma maneira que estamos pensando ao ficarmos em casa para conter o avanço da COVID-19. Com 126 casos confirmados (dados de domingo 22/03/2020) em uma população de mais de 3 milhões de habitantes no Distrito Federal, a probabilidade de contaminação, mesmo contado com a quantidade de casos suspeitos e com a subnotificação de casos, é ainda muito pequena. Mas estamos todos ficando em casa para o bem coletivo.

E se fizéssemos isso com a nossa música? E se, coletivamente, recusássemos trabalhos para que o contratante não mais encontre quem toque pelo valor que está oferecendo? Certamente elevaríamos, ou melhor dizendo, recuperaríamos nossa renda média.

Lembro que na década de 2000 eu toquei várias vezes em um bar para fazer som com os amigos e receber a “gasolina”. O som era muito bom, muito divertido, mas o proprietário ganhava música ao vivo sem gastar nada. Sem saber, na época, eu estava contribuindo para a redução dos cachês em minha cidade. Parei com isso.

Já não toco em vários bares/restaurantes por causa do valor do cachê. Já não toco para vários promotores de eventos por causa do valor do cachê. Já não trabalho para vários músicos porque sempre oferecem um cachê baixo (em vários casos, a pessoa poderia pagar bem mais). Há poucas semanas, recusei um trabalho para que os outros músicos pudessem ganhar melhor (era um trabalho com um valor fixo e quem me chamou queria montar um quarteto. Eu recusei e sugeri fazer de trio para que todos ganhassem mais).

Essas belas palavras acima não adiantam em nada se não houver uma ação coletiva. Precisamos de um trabalho de conscientização. Precisamos conversarmos uns com os outros SEMPRE para:

  • Sabermos o valor médio dos cachês e termos informações para negociarmos um cachê, no mínimo, justo;
  • Conscientizar cada pessoa que toca por um valor abaixo da média da importância dessas atitudes para o bem coletivo.

O fato de um músico aceitar um trabalho por menos do que seria justo causa três consequências nefastas: 1) essa pessoa receberá menos que o merecido pelo seu trabalho, 2) se o valor é bem abaixo da média, essa pessoa vai ter mais dificuldades para elevar o valor de seu trabalho e 3) o valor médio dos cachês DE TODOS vai cair, porque poucos vão pagar mais caro por um serviço semelhante. Todos perdem com isso.

 

É arte e é trabalho.

Você que é músico, valorize a sua posição como artista na sociedade. Aprenda a diferenciar o momento de exercer a arte do momento de exercer o trabalho, principalmente na hora da negociação. Você que consome música, valorize a arte produzida pelas pessoas que estão a sua frente. Você que paga para ter música em seu estabelecimento ou sua casa, valorize a arte executada  e que deixa seus clientes/convidados mais felizes. Nesses dias em que não temos bares, restaurantes, festas, shows, teatros, exposições,… você entende o quanto a música ao vivo faz falta em sua vida. Lembre-se disso quando a pandemia passar. Lembre-se que existe uma arte sendo executada no palco, naquele bar que você gosta de ir. Valorize. Aplauda.

Lembre-se também que existe uma pessoa trabalhando e que merece respeito pelo seu trabalho. Já imaginou alguém exigindo que você fique mais 30 minutos após seu horário de trabalho terminar só poque “quer”? É isso que fazem quando exigem que o músico não pare de tocar. Não me entenda mal. Todos nós gostamos dos aplausos e dos pedidos de bis. Mas quando percebemos que a intensão dos pedidos é apenas para a “balada” continuar, isso não é prazeroso. Tente ver um equilíbrio entre sua demonstração que está gostando da arte produzida, em ouvir um bis, e o respeito às pessoas que estão trabalhando há algumas horas.

 

* Cálculo baseado no cachê mais baixo que eu recebia em 2009 e o valor médio dos cachês em 2020, usando a calculadora do cidadão do Banco Central e usando o INPA como índice de correção monetária. O percentual de redução entre março de 2009 e fevereiro de 2020 é de 45,32%.

 

Aos nossos filhos – Ivan Lins e Vitor Martins

 

Ontem eu gravei um vídeo em meu celular para divulgar um show que farei em algumas semanas. Escolhi a música “Aos nossos filhos” (Ivan Lins e Vitor Martins). Eu já conhecia a música (gosto muito dela) e a melodia ficou grudada em minha cabeça.

Hoje, quando pego meu baixo para estudar, fiquei tocando a música e resolvi gravá-la novamente. Peguei a câmera, pluguei o baixo no gravador e saiu isto. Como um tiro! Como um desabafo!

A letra de Aos nossos filhos é uma carta de um/uma pai/mãe para seus filhos. Pede desculpas pelas falhas cometidas e pede para os filhos celebrarem quaisquer conquistas da vida. A parte que mais gosto é “quando colherem os frutos, digam o gosto pra mim”.

Apesar de ser uma carta de pais para seus filhos, gosto de observar a letra como uma carta de um filho para seus pais. Assim, aqui está minha carta para meus pais, em especial para meu velho que não está mais por aqui.

Perdoem a cara amarrada
Perdoem a falta de abraço
Perdoem a falta de espaço
Os dias eram assim
Perdoem por tantos perigos
Perdoem a falta de abrigo
Perdoem a falta de amigos
Os dias eram assim
Perdoem a falta de folhas
Perdoem a falta de ar
Perdoem a falta de escolha
Os dias eram assim
E quando passarem a limpo
E quando cortarem os laços
E quando soltarem os cintos
Façam a festa por mim
E quando lavarem a mágoa
E quando lavarem a alma
E quando lavarem a água
Lavem os olhos por mim
Quando brotarem as flores
Quando crescerem as matas
Quando colherem os frutos
Digam o gosto pra mim
Digam o gosto pra mim