Altos e Baixos

Esse foi meu primeiro CD solo e o segundo que produzi por completo. O primeiro impulso para a gravação desse CD foi a necessidade de colocar minhas ideias musicais para fora. Já havia colocado em outras ocasiões, mas não em coisas exclusivamente minhas. A carreira como instrumentista também influenciou na gravação, pois sabia que ter minhas composições gravadas me colocaria em um outro patamar musical.

Peguei várias músicas rabiscadas em velhos cadernos de música, compus outras novas e fiz todos os arranjos. Sem ter tanta experiência como arranjador, foi difícil imaginar como iria soar com a banda toda. Fiz como acho que todo mundo faria, na base do bom senso e ouvindo outros artistas como referência. Ainda bem que deu certo!

A formação escolhida foi bateria, baixo, piano, sax e percussão. Eu já tinha a turma na cabeça: Allen Pontes (bateria), José Cabrera (piano), Anderson Pessoa (sax) e Sandro Araújo (percussão). Grandes instrumentistas e grandes amigos com quem eu já tocava há bastante tempo e confiava no desempenho e comprometimento musical.

Juntei a turma em uma chácara e passamos um fim de semana ensaiando, o que nos deu o relaxamento necessário para entender as ideias musicais e gravarmos bem à vontade. O resultado foi bem legal mesmo!

Destaques:

O bom filho à casa torna foi uma “homenagem” a um baixo meu que havia sido roubado e que recuperei após 3 anos. A melodia é bem movimentada, em cima de uma base de partido alto, e o caminho harmônico segue o desenvolvimento da melodia. Lembro que não quis economizar acordes nessa música, rssss.

A parte B serve mais como uma ponte para acrescentar ainda mais tensão, relaxando no C quando entra o samba e as notas mais longas da melodia.

Às vezes gosto de mudar a harmonia dos solos, para ficar diferente da base da melodia e poder criar climas diferentes para os improvisos. Nessa música isso ficou bem legal. Perceba que o solo de sax entra como a continuação do solo de baixo, chegando ao clímax no interlúdio.
Talvez o ponto mais alto da música seja o interlúdio. Piano e sax em 7/8 e baixo, bateria em 7/4. Bem interessante essa polirritmia! O final do interlúdio entrega para voltar à melodia e encerrar a música.

Tesselas é uma composição minha com letra de Douglas Umberto Oliveira, que foi composta inicialmente para um CD vocal e fiz a adaptação do arranjo para instrumental.

O que mais me chama a atenção é a suavidade da melodia e como ela cresce à medida que a música se desenvolve. Sou de ficar tocando e cantando por horas.

Lembro quando fiquei tocando por muito tempo a ideia da introdução no violão e viajando naquele som. Foi um mantra que terminou por definir o clima da música em minha cabeça. A partir daí, comecei a desenvolver a melodia.
Como seria uma música cantada, procurei deixar a melodia com mais respirações e dentro de uma extensão mais curta, coisa que não me preocupo tanto quando componho para instrumental.

O trecho que mais gosto é o interlúdio, logo após o solo. Duas melodias em contraponto, uma principal e outra secundária, que no meio da melodia invertem de posição. Dá uma baita crescida para entregar no B da melodia.

O ponto alto é o solo de sax no final. Foi gravado de primeira, ainda quando estávamos montando a base da música. A interação do grupo nesse solo é incrível, com destaque para Allen Pontes. É impressionante como ele dialoga com todos os instrumentos.